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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Crossing The Line - Sara Davidmann



Título: Crossing The Line
Autor: Sara Davidmann
Editor: Dewi Lewis Publishing
ISBN: 1-899235-39-6

As atitudes sociais mudaram com o crescimento do número de indivíduos que optam por redefinir o seu sexo. Crossing de Line documenta essa profunda mudança cultural. Está focado nos indivíduos que "cross-dressing" de homem para mulher e envolve a participação de travestis, "drag queens" e transexuais.

Os rituais e processos de transformação têm grande significado. Para a maioria dos cross-dressers a criação da personagem feminina é uma parte crucial do seu ser e essencialmente constitui um alter-ego.

A ritual do banho, do shaving (tratar dos pelos, barba, pernas), trocar de roupa e colocação da maquilhagem pode demorar ate 2 horas ou mais. Sendo uma etapa importante na transição de uma personagem para outra.

Muitos consideram-se ser na essência, ambos os sexos, homem e mulher. Para eles as fotografias servem como reforço da sua imagem feminina e na sua afirmação como essa personagem.

Crossdressing envolve a criação de uma ilusão. Uma total transformação, mesmo que temporária. No entanto, a ilusão retém muitas vezes pistas para o género de base que se esconde. E a imagem resultante vagueia entre a polaridade masculino e feminino, contendo elementos de ambos, como se um terceiro sexo tivesse sido criado.

Fetish Theatre - Alan Tex



Título: Fetish Theatre
Autor: Alan Tex
Editor: Edition Reuss
ISBN: 3980501779


Alan Tex é um mestre na arte de iluminar a complexa natureza do erotismo que caracteriza as relações interpessoais, capturando o lado mais sombrio dos nossos desejos num segmento de cenas fotográficas.

O Fotógrafo Belga deriva maioritariamente em estilos comuns a círculos fetichistas, mas também o faz de esculturas ou outras formas de arte.

Isto confere ao seu trabalho o sentimento de fantasia por parte da pessoa que vê as suas obras.

Um livro invulgar, nas obras de um artista realmente perturbado. Ao conjunto cénico colorido a expressão, ora dramática ora vazia de emoção. Os vermelhos, o ouro, os pequenos simbolismos que só se deixam agarrar após uma visualização mais cuidada... a representação de papéis, que tanto adoramos e conhecemos.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

The Chameleon Body - Nicholas Sinclair



Título: The Chameleon Body
Autor: Fotografia -Nicholas Sinclair
Textos - David Alan Mellor & Anthony Shelton
Editor: Lund Humphries Publishers
ISBN: 0-85331-696-1


Nicholas Sinclair, é um fotógrafo de naturalidade londrina, presente em diversas exposições, nomeadamente em Portugal (na Culturgest em 1999), conhecido pelas suas fotos fetichistas, mais especificamente no domínio das alterações que diversas pessoas fazem ao corpo: bod-mod, scarification, piercings e tatoos.







Feet-ishism - Hans-Jürgen Döpp



Título: Feet-ishism
Autor: Hans-Jürgen Döpp
Editor: ParkStone
ISBN: 1-85995-820-6
Como podem os pés possuírem conotações sexuais tão fortes?
Representam eles algo no subconsciente humano? O quê?
Qual o simbolismo e como podem ser estes membros do corpo humano possuir tanto erotismo?



Gustave Courbet, "Mulher com meias brancas" 1861

Desde os primórdios da humanidade os pés foram alvo de adoração. Quando a nudez era proibida os pés eram deixados nus e através destes a fantasia nascia e crescia.

Muitas questões, algumas respostas num livro que nos apresenta ilustrações de rara beleza.

Félicien Rops, "Pornocrates" 1878

UNMENTIONABLES - A Brief History Of Underwear - Elain Benson & John Esten



Título: Unmentionables - A Brief History Of Underwear
Autor: Elaine Benson & John Esten
Editor: Simon & Schuster
ISBN: 0-684-82266-0

Este livro relata-nos história da roupa interior ao longo dos tempos. Fazer uma história da roupa interior não é um trabalho fácil. Os materiais que nos são dados a observar na maioria das vezes mostram-nos apenas a roupa exterior, deixando-nos entregues a especulações quanto ao que se encontra debaixo dessa. No entanto, com base em alguns objectos (de olaria, por exemplo) e em peças de arte como pinturas, esculturas e textos vão-se firmando ideias e factos.

Ainda que oculta na maioria do tempo, a roupa interior é aqui analisada, quer no seu papel, quer na estética, através da observação das diferenças através dos tempos e dos sexos.

Do Egipto à Grécia, passando por Roma algo em comum nos é revelado: quanto mais elevado o estrato social mais roupa era usada. Os escravos e membros do povo vestiam-se rudimentarmente enquanto que os mais ricos possuíam diversas peças de roupa que conjugavam de forma a construir o ideal feminino/masculino da época.

É somente no século XX a roupa interior é pensada e desenhada como tal. A revelação. A transformação da roupa interior em acessório ou objecto sensual, acontece após uma época vitoriana onde o uso da mesma se torna obrigatório. Dessa moralidade resta-nos em muitas culturas os nomes meio infantis dados às diversas peças. Ainda que em português sejamos pobres na diversidade de nomes dados à roupa interior (a cuecas chamamos pouco mais do que cuecas) e muitas das palavras tenham sido adoptadas de outras estrangeiras (soutien por exemplo) temos o exemplo brasileiro onde cuecas viram calcinhas. O inglês é rico nesse linguajar de criança: undies, panties, scanties, snuggies, teddys, etc.

Aos corpetes vulgarizados no século XIX é dedicado um capítulo. Uma peça essencial durante séculos é mais a ele que a qualquer outra peça de vestuário que se deve a imobilização da mulher com fins morais, culturais e estéticos. Metáfora de virtude o corpete era uma peça obrigatória na época vitoriana. As mulheres começavam a usá-lo na tenra idade dos 4 anos e eram conhecidas as supostas qualidades para a saúde do corpo! Era-lhe atribuído o dom de corrigir a postura das costas… e assim nasceu o negócio de corpetes de todo o género: corsetes redutores, corsetes de casamento franceses, corteses de maternidade, corsetes de Verão, corsetes de amamentação, corsetes de banho. E se inicialmente a estrutura destes era feita sobretudo à base de osso de baleia surgiram corsetes com estrutura de metal, corda e cana. Não é de admirar que na época Vitoriana as mulheres se queixassem imenso de cansaço após um dia. Muitas delas carregavam de 7 a 10 quilogramas de roupa com elas.


No capítulo “Aberração” a autora discorre acerca do conceito cultural vigente em como é visto como algo anormal a utilização de roupa interior feminina por parte de um homem e pelo contrário, uma mulher usando roupa interior masculina, já não ser visto da mesma forma.
Se a roupa interior feminina tem sofrido uma evolução constante, quer de formas, de tecidos, cores e papéis, a do homem tem estado em relativo marasmo há séculos. Não será natural que um homem se aborreça de usar sempre o mesmo feitio de cuecas? E as mesmas cores, sem grandes floreados, rendas, adereços? Como uma possível resposta temos o surgimento das Drag Queens, dos travestis e dos cross-dresser. Uma forma de estar masculina, muitas das vezes heterossexual, que imita a feminina no seu exterior. E se há os que copiam a figura feminina na íntegra, aliando a roupa interior a uma selecção de vestuário, maquilhagem, perucas e acessórios, há os que se vestem de uma forma mais natural e menos estereotípica, na procura de alguma sensualidade ou simbolismo, alguns deles não querendo ser outra coisa que não um homem com roupa feminina.

Um livro rico em fotografias e extremamente interessante já que retrata também, ao contrário da maioria, a roupa interior masculina.

Não querendo ser um tratado de história não foi estruturado cronologicamente ou por tipo de peça de roupa o que pode desagradar a quem queira algo mais factual.